#32: Bati com um barco num Teatro de Marionetas

Bati com um barco num teatro de marionetas. Muito, muito devagar. Era o meu aniversário e, infelizmente, a minha ex-sogra tinha transbordado a última sanita de cartucho no nosso barco-casa, o que significava que eu não tinha outra opção senão levar o próprio barco ao ponto de descarte de resíduos, em vez de carregar as nossas três sanitas de cartucho cheias por um quilómetro pela cidade num atrelado de bicicleta, como eu costumava fazer, o que pelo menos envolvia não ter de conduzir um barco. O notável sobre o ponto de descarte de resíduos – essencialmente um balde gigante – era que ficava numa área do canal onde dar a volta era muito apertado e difícil. Cheguei lá, amarrei o barco e esvaziei as sanitas (salpicando o meu braço com a urina da minha ex-sogra no processo) e, infelizmente, quando saí, foi quando o meu barco-casa decidiu que não ia virar de ré de forma alguma. De forma alguma. Então, primeiro, embati inexoravelmente devagar num café flutuante, cujos empregados me insultaram em polaco, e depois embati igualmente devagar no teatro de marionetas atracado do outro lado do canal.
Não tive outra opção senão atar-me ao teatro de marionetas e esperar timidamente pelo resgate do irritável faz-tudo que vivia no nosso ancoradouro e, a contragosto, ajudava os desamparados marinheiros hipsters, dos quais a minha ex e eu éramos definitivamente dois. Não foi um bom aniversário… *não foi culpa dela – obviamente devíamos ter planeado melhor, e estas foram as consequências.